13 de maio de 2011

monossilábica

você sabia se eu pudesse lhe dizer uma palavra qualquer diria todas parada à espera quando sacaram num gesto abrupto e áspero e inexato a vida das mãos as mãos pendendo sem nuvens se tiram dias de vida deveriam dar em troca uns dias de morte uma coisa não compensa a outra e as mãos pendentes à espera do que eu dissesse e você sabe se eu puder lhe direi todas.

10 de maio de 2011

heráclito

visitar um lugar que conhecemos de mapas é como ir ao encontro de quem conhecemos só de ouvir falar. a cidade que eu queria atravessar não existe mais. ainda que os traçados sejam das quase mesmas ruas, a cidade de antes apagou-se nos tratados, nas guerras, nos muros. e renasce. a cada dia no mesmo lugar, há outra. a mesma. como somos sempre os mesmos desde que nascemos e sempre outros. não sei como fazer a mala.

4 de maio de 2011

não gosto de tênis brancos, brincos grandes, grades nas janelas. de bolsas sem alças ou calças sem bolsos. ruas que não estão nos mapas, mapas sem relevo, praias com muito vento. gosto dos plurais, ali cabe isso e mais.