30 de novembro de 2012

plástica de anjo



ou penso um micro balão na ponta de micro instrumento que por caminhos micro micro microscópicos percorre por dentro artérias e microtelas nos espaços que se recusam amplidões. como num milagre tudo se abre e o abciximab inunda reduzindo as mortes. a morte. que é sempre singular.
ou leio um músculo artificial de nanotubos de carbono estruturas cilíndricas que ocupam vértices hexagonais revestidos de parafina que se expande rapidamente quando exposto a uma fonte de calor e ganha de qualquer um de nós, humanos, uma queda de braço mas mais querem que não haja a queda e protejam do fogo ao fechar poros e quando alvos de balas que não nos atravessem as mortes. as mortes. todas plurais.

27 de novembro de 2012

nos pinheirais





piso dias como minas
daquelas explosivas daquelas diamantes.
tudo brilha dia.
perde-se números de telefone perde-se referências.
o mar só é mar quando o dizemos mar?
a palavra constrói o futuro.
antes de ser palavra, o mar não é. nem água.
antes de ter um nome minha mão nem treme e o coração não pulsa.
quando a palavra cala, já nada.
antes de palavra não sou mar nem sou.
um lápis e eu saberia o que fazer com as mãos.
não tenho, nem tenho mãos nominadas mãos.
suas mãos têm nome.
e nas minhas abrem vãos
por onde vento outras palavras e mãos
que se enroscam nos meus olhos
e me fazem perder pés.
nesta explosão, os dias.

21 de novembro de 2012

nas asas

quando sou palavra monolítica pedra necessito ventos que arejem porosidades minúsculas grutas onde brotam águas onde musgos onde insetos noturnos se guardam. 

quando assim monolítica pedra me guardo necessito tempestades e mar e sal a abrir frestas por onde a luz filtradas asas. 
quando assim pedra minha palavra sua mão na minha me amplia a delicadeza - pele olhar e horizonte.

20 de novembro de 2012

brisas




conhecer é cada dia. no primeiro olhar você diz seria bom ficar mais um pouco. uns dias. e nesses dias a vida se mostra intensa, um tanto doce, sempre ali pulsante. então você diz seria bom percorrer todo um ciclo saber do verão outono inverno depois desta primavera que você já sabe tudo tão brotante. e você fica. e vê as folhas que caem. e vê o mar que se agita, que se azula enquanto as manhãs brancas. você vê as nuvens por todo lado. a chuva. os entardeceres. as tempestades. um dia você se esconde num vão da cidade. é preciso esperar porque as águas. quando quase se completa um ciclo e você sabe que aprendeu um ritmo, você diz seria bom ficar mais um pouco agora que já sei como são as coisas poderia me entregar à contemplação e às nuances e às mudanças nos mapas e na pele ao longo dos anos. e um dia depois de muitos ciclos você sabe que tudo é ainda começo e resta tudo por entender. então você diz talvez eu devesse ficar mais uma vida. e já nem vê a brisa que carrega tudo e pó.

19 de novembro de 2012

només




toda palavra sobra e nenhuma palavra basta. toda palavra é pouca. quanto mais palavras tenho para a sempre mesma e sempre outra coisa, menos palavras tenho. queria o que meninos querem às vezes: a gente diz muitos nomes para cadeira, mas o nome, mesmo, dela é qual? como se coisas lugares sentimentos pessoas tivéssemos um nome desde sempre, desde todo e qualquer lugar. este nome absoluto, esta palavra é o que busco. outras vezes, bastaria saber meu nome, o nome que sou.

7 de novembro de 2012

vinho

como quando os olhos nem fechados nem abertos
ou mesmo
fechados quando abertos
em seu avesso os olhos
dos contos que em voz alta leio
para o mundo que adormeço
faço o que não sou quando
e quando noite
e quando dia procuro o sol procuro a luz
como se procura um copo de vinho sobre a mesa e
minha mão incrustada na sua
sua
e cada gota sou
e cada gota soa