5 de setembro de 2013

dê flores aos vivos

por conta do medo, há quem distribua suas riquezas aos pobres.
quem funde linhagens, arranque os dentes.
há quem.

por mais que me proteja, o vento vem, revira tudo, fora dentro tempo e medo no abismo rochoso.
tudo o que eu podia fazer eu fiz. podia pouco. fiz menos ainda.
não sou matéria sou fissuras
porosidades
areia móvel. grão.
o vazio onde o molusco se firma.
a explosão do mar.
a espera.
não a pedra.

2 comentários:

Fabiana disse...

Que lindo, Veronika! Comecei a ler e corri o olhar pra baixo, achando que era Adélia Prado. Aí vi que não, que era Veronika Paulics mesmo, cheia de poesia. Um beijo.

Fernando Amaral disse...

Puxa... porque só hoje li?