25 de fevereiro de 2017

apám-anyám

quando a gente morre, deixa de fazer aniversário. é a morte dos mortos que aniversaria. fosse vivo, seriam 83 anos. hoje. porque morto, quase oito meses deste tempo que se desdobra em câmera lenta.
um dia conversamos sobre traduzir poemas. a primeira sugestão foi este poema do attila jozsef.

Minha mãe
Segurando a caneca com as duas mãos
num domingo ao anoitecer
ela sorriu silenciosamente
e ficou um tempinho sentada na penumbra

Numa panela pequena tinha trazido pra casa
um resto do jantar dos patrões
e quando fomos domir fiquei pensando
que eles comiam uma panela inteirinha --

Minha mãe era pequena, morreu cedo
porque as lavadeiras morrem cedo
de tanto peso, as pernas tremem,
de tanto passar, a cabeça dói --

Por paisagem, a montanha de roupa suja
O brincar de seguir nuvens
é olhar o vapor e mudar de ares,
para uma lavadeira, é ir ao sótão--

Vejo como ela para com o ferro nas mãos.
Sua frágil estrutura o capital
quebrou e ia ficando cada vez mais magra
Imaginem, proletários --

De tanto lavar foi se encurvando.
Eu não sabia que, quando moça,
em seu sonho usava um avental limpo
e o carteiro a saudava – –
1931

Anyám
A bögrét két kezébe fogta,
úgy estefelé egy vasárnap
csöndesen elmosolyodott
s ült egy kicsit a félhomályban – –
Kis lábaskában hazahozta
kegyelmeséktől vacsoráját,
lefeküdtünk és eltünődtem,
hogy ők egész fazékkal esznek – –
Anyám volt, apró, korán meghalt,
mert a mosónők korán halnak,
a cipeléstől reszket lábuk
és fejük fáj a vasalástól – –
S mert hegyvidéknek ott a szennyes!
Idegnyugtató felhőjáték
a gőz s levegőváltozásul
a mosónőnek ott a padlás – –
Látom, megáll a vasalóval.
Törékeny termetét a tőke
megtörte, mindíg keskenyebb lett –
gondoljátok meg, proletárok – –
A mosástól kicsit meggörnyedt,
én nem tudtam, hogy ifjú asszony,
álmában tiszta kötényt hordott,
a postás olyankor köszönt néki – –
1931

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