27 de fevereiro de 2013

chang dai-chien



barack virág ág

esik. a becsukódo virágok magukba zárnak minden fényt.
de micsoda öröm az ha minden ami él at van itatva
és ujra kinyilik
-- ilyenkor megyek ki a kertbe.


galho com flor de pessegueiro

chove. as flores que se fecham guardam em si toda luz.
mas que alegria quando tudo o que vive está encharcado
e novamente desabrocha
-- nessas horas eu vou ao jardim.

minha avó gostava de pintar. paisagens de lagos entre montanhas nevadas, flores, beija-flores. em geral, copiava pinturas de outros. ou fotos. numa de suas pinturas de flores de pessegueiro, havia uns ideogramas pintados. junto à pintura, ela guardava um papel como se fosse a tradução dos ideogramas orientais para o húngaro. do húngaro, traduzi para o português. as chuvas tropicais e o jardim verde e pleno sempre me lembram esta pintura e este texto.
muitos anos depois de a minha avó já ter morrido, um amigo levou a pintura para seu pai decodificar. e não era nada daquilo que estava escrito. a inscrição dizia sobre um grande general e suas virtudes.
chang dai-chen, por sua vez, assinalado por minha avó como o autor da pintura que ela estava copiando, e talvez do texto, era um falsificador. como falsificador, chang criou obras tão perfeitas que chegaram e ser vendidas por milhares de dólares. suas obras, mesmo depois de serem reconhecidas como falsificações, permaneceram nos museus para serem admiradas. (wikipedia)

25 de fevereiro de 2013

e me curvo, e me submeto

Iniciação
(Orides Fontela)

Se vens a uma terra estranha
curva-te

se este lugar é esquisito
curva-te

se o dia é todo estranheza
submete-te

-- és infinitamente mais estranho.

22 de fevereiro de 2013

no cais



sou labirinto obscuro. o caos que se mostra é menos que o desenho perdido de um mapa – dos inencontráveis. mapa. no mapa, nada de cidades rotas ruas estradas geografias relevos caminhos nada. nem do labirinto qualquer sinal. no mapa brilham faróis. um intrincado de luzes intermitentes em um emaranhado de pétalas em uma rosa – murcha. nós. e um mapa do tempo. o tempo, esta escuridão.

15 de fevereiro de 2013

work in progress

quando sei quem já não sou mas ainda não sei quem serei, junto farinha, fermento, sal. amasso. asso. perfume de pão pela casa. a vida pulsa. pouco a pouco eu chego.

4 de fevereiro de 2013

água

como um navio se afasta
sem ancorar
de um porto mal vislumbrado:
o todo que sou:
o medo e o medo
do que ainda não
sou mesmo sabendo
que me espera dentro de mim
me espreita mesmo
que eu não queira
o tigre e sua sede
o cão e sua sede
o rato
o medo que de mim mesma – porto –
trago por dentro
ancorada que estou



*


com un vaixell s’allunya
sense ancorar
d’un port mal entrevist:
el tot que sóc:
la por i la por
del que encara no
sóc tot i sabent
que m’espera dins meu
m’aguaita tot i
que jo no vulgui
el tigre i la seua set
el gos i la seua set
la rata
la por que de mi mateixa – port –
porto per dins
ancorada que estic
  
[Traducció: Joan Navarro]


*
 

como un navío se aleja
sin ancorar
de un puerto mal vislumbrado:
el todo que soy:
el miedo y el miedo
de lo que todavía no
soy asimismo sabiendo
que me espera dentro de mí
me acecha aunque
yo no quiera
el tigre y su sed
el perro y su sed
la rata
el miedo que de mi misma – puerto –
traigo por dentro
ancorada que estoy

[Traducción: Joan Navarro]


*
 
víz

mint egy hajó ahogy elhagyja
horgony nélkül
egy alig meg pillantott kikötőt:
az egész ami vagyok:
a félelem és a félelem
attól, ami még nem is
vagyok még ha tudom is
hogy vár bennem
leselkedik belőlem még ha
nem is szeretném
a tigris és a szomjúsága
az eb és a szomjúsága
az egér
a félelem amit saját magamtólkikötő
hozok belülről
lehorgonyozva ahogy vagyok

[lefordítás: skrabák-paulics petra és paulics veronika]

15 de janeiro de 2013

o amor




se oceano imenso universo infinito, também momento mínimo minúsculo circunscrito, delicado átomo, partícula de luz desmedida, escultura de mulher a olhar o mar num grão de arroz. que me alimenta.

(foto: escultura de nicolai syadristy - VXArtNews)



14 de janeiro de 2013

kolozsvár



cluj napoca é a terceira maior cidade da romênia e capital da transilvania. a região já foi hungria e por isso a conheço por um outro nome. só conheço o nome. sobre ela, há três coisas que sei: o padroeiro é são miguel arcanjo, em julho de 2007 eram 310.243 habitantes, e um desses habitantes, algum deles, tem passado a pé por aqui.

11 de janeiro de 2013

viajar


"és mejor retener cosas sencillas. éso permite medir la extensión de lo que se desconoce".

(joann sfar, el gato del rabino 5)

17 de dezembro de 2012

porto (de rio)


o desejo um mundo e como um mundo um círculo seu beijo me afasta de mim num longo caminho e quanto mais distante mais próximo de mim eu sigo seu corpo meu navio

10 de dezembro de 2012

ventos




é preciso abrir o coração. se não o fizer, nós o faremos, eles dizem.
um pequeno vão sob as costelas, aquelas, as mesmas que um dia o deus dos homens usurpou para criar uma eva que também não sou.
e tudo isso que afinal eles dizem veneno eles dizem proibido – pode ser – nem preenchem vazios repare – pode ser – o seu contrário que abrem espaços do que não somos ainda que pareçam expandir-nos.
é preciso. eles dizem: isso, do coração. e nós o faremos.

4 de dezembro de 2012

sobretudos



num balão a leveza está sob os pés. 
pendidos num cesto de vime o vento não nos venta, leva. 
quando dentro do vento sem resistência, o vento não é vento. 
somos sobretudo um mesmo movimento, o tempo sobre a face da terra. 
sobre tudo o que é a terra.

30 de novembro de 2012

plástica de anjo



ou penso um micro balão na ponta de micro instrumento que por caminhos micro micro microscópicos percorre por dentro artérias e microtelas nos espaços que se recusam amplidões. como num milagre tudo se abre e o abciximab inunda reduzindo as mortes. a morte. que é sempre singular.
ou leio um músculo artificial de nanotubos de carbono estruturas cilíndricas que ocupam vértices hexagonais revestidos de parafina que se expande rapidamente quando exposto a uma fonte de calor e ganha de qualquer um de nós, humanos, uma queda de braço mas mais querem que não haja a queda e protejam do fogo ao fechar poros e quando alvos de balas que não nos atravessem as mortes. as mortes. todas plurais.