12 de março de 2013
11 de março de 2013
às vezes
o gato, às vezes, fica horas parado num canto. dorme, acorda. depois olha, concentra-se num detalhe do mundo. de
repente se levanta, vem na minha direçao, pula no meu colo. pede
carinho. faço carinho. pede que coce, e eu coço, coço suas costas, sua
barriga, o pescoço, o entre os olhos. ele fica feliz, ronrona, às vezes
se ajeita e dorme no meu colo enquanto escrevo. outras vezes, do nada,
se levanta e vai embora.
às vezes, o gato.
às vezes, o gato.
8 de março de 2013
27 de fevereiro de 2013
chang dai-chien
barack virág ág
esik. a
becsukódo virágok magukba zárnak minden
fényt.
de micsoda öröm
az ha minden
ami él at van itatva
és ujra
kinyilik
-- ilyenkor
megyek ki a kertbe.
galho com flor de pessegueiro
chove. as flores que se fecham guardam em si toda luz.
mas que alegria quando tudo o que vive está encharcado
e novamente desabrocha
-- nessas horas eu vou ao jardim.
minha avó gostava de pintar. paisagens de lagos entre
montanhas nevadas, flores, beija-flores. em geral, copiava pinturas de outros. ou fotos. numa de suas pinturas de flores de
pessegueiro, havia uns ideogramas pintados. junto à pintura, ela guardava um
papel como se fosse a tradução dos ideogramas orientais para o húngaro. do húngaro, traduzi para o português. as chuvas tropicais e o jardim verde e pleno sempre me lembram esta pintura e este texto.
muitos
anos depois de a minha avó já ter morrido, um amigo levou a pintura para seu pai decodificar. e não era nada daquilo que estava escrito. a inscrição dizia sobre um grande general e suas virtudes.
chang dai-chen, por sua vez, assinalado por minha avó como o
autor da pintura que ela estava copiando, e talvez do texto, era um falsificador. como
falsificador, chang criou obras tão perfeitas que chegaram e ser vendidas por
milhares de dólares. suas obras, mesmo depois de serem reconhecidas como
falsificações, permaneceram nos museus para serem admiradas. (wikipedia)
25 de fevereiro de 2013
e me curvo, e me submeto
Iniciação
(Orides Fontela)
Se vens a uma terra estranha
curva-te
se este lugar é esquisito
curva-te
se o dia é todo estranheza
submete-te
-- és infinitamente mais estranho.
(Orides Fontela)
Se vens a uma terra estranha
curva-te
se este lugar é esquisito
curva-te
se o dia é todo estranheza
submete-te
-- és infinitamente mais estranho.
22 de fevereiro de 2013
no cais
sou labirinto obscuro. o caos que se mostra é menos que o
desenho perdido de um mapa – dos inencontráveis. mapa. no mapa, nada de cidades
rotas ruas estradas geografias relevos caminhos nada. nem do labirinto qualquer
sinal. no mapa brilham faróis. um intrincado de luzes intermitentes em um emaranhado
de pétalas em uma rosa – murcha. nós. e um mapa do tempo. o tempo, esta escuridão.
21 de fevereiro de 2013
15 de fevereiro de 2013
work in progress
quando
sei quem já não sou mas ainda não sei quem serei, junto farinha, fermento, sal. amasso. asso. perfume de pão pela casa. a vida pulsa.
pouco a pouco eu chego.
6 de fevereiro de 2013
4 de fevereiro de 2013
água
como um navio se afasta
sem ancorar
de um porto mal vislumbrado:
o todo que sou:
o medo e o medo
do que ainda não
sou mesmo sabendo
que me espera dentro de mim
me espreita mesmo
que eu não queira
o tigre e sua sede
o cão e sua sede
o rato
o medo que de mim mesma – porto –
trago por dentro
ancorada que estou
*
*
*
sem ancorar
de um porto mal vislumbrado:
o todo que sou:
o medo e o medo
do que ainda não
sou mesmo sabendo
que me espera dentro de mim
me espreita mesmo
que eu não queira
o tigre e sua sede
o cão e sua sede
o rato
o medo que de mim mesma – porto –
trago por dentro
ancorada que estou
*
com un vaixell
s’allunya
sense ancorar
d’un port mal
entrevist:
el tot que sóc:
la por i la por
del que encara
no
sóc tot i
sabent
que m’espera
dins meu
m’aguaita tot i
que jo no
vulgui
el tigre i la
seua set
el gos i la
seua set
la rata
la por que de
mi mateixa – port –
porto per dins
ancorada que
estic
[Traducció: Joan Navarro]
como un navío se aleja
sin ancorar
de un puerto mal vislumbrado:
el todo que soy:
el miedo y el miedo
de lo que todavía no
soy asimismo sabiendo
que me espera dentro de mí
me acecha aunque
yo no quiera
el tigre y su sed
el perro y su sed
la rata
el miedo que de mi misma – puerto –
traigo por dentro
ancorada que estoy
[Traducción: Joan Navarro]
mint egy hajó ahogy elhagyja
horgony nélkül
egy alig meg pillantott kikötőt:
az egész ami vagyok:
a félelem és
a félelem
attól, ami még nem
is
vagyok még ha tudom is
hogy vár bennem
leselkedik belőlem még ha
nem is szeretném
a tigris és
a szomjúsága
az eb és a szomjúsága
az egér
a félelem amit
saját magamtól – kikötő–
hozok belülről
lehorgonyozva ahogy vagyok
[lefordítás: skrabák-paulics petra és paulics veronika]
15 de janeiro de 2013
o amor
se oceano
imenso universo infinito, também momento mínimo minúsculo circunscrito, delicado
átomo, partícula de luz desmedida, escultura de mulher a olhar o mar num grão
de arroz. que me alimenta.
(foto: escultura de nicolai syadristy - VXArtNews)
14 de janeiro de 2013
kolozsvár
cluj napoca é a terceira maior cidade da romênia e capital da transilvania. a região já foi hungria e por isso a conheço por um outro nome. só conheço o nome. sobre ela, há três coisas que sei: o padroeiro é são miguel arcanjo, em julho de 2007 eram 310.243 habitantes, e um desses habitantes, algum deles, tem passado a pé por aqui.
11 de janeiro de 2013
viajar
"és mejor retener cosas sencillas. éso permite medir la extensión de lo que se desconoce".
(joann sfar, el gato del rabino 5)
7 de janeiro de 2013
17 de dezembro de 2012
porto (de rio)
o desejo um mundo e como um mundo um círculo seu beijo me afasta de mim num longo caminho e quanto mais distante mais próximo de mim eu sigo seu corpo meu navio
12 de dezembro de 2012
10 de dezembro de 2012
ventos
é preciso
abrir o coração. se não o fizer, nós o faremos, eles dizem.
um pequeno
vão sob as costelas, aquelas, as mesmas que um dia o deus dos homens usurpou
para criar uma eva que também não sou.
e tudo isso
que afinal eles dizem veneno eles dizem proibido – pode ser – nem preenchem
vazios repare – pode ser – o seu contrário que abrem espaços do que não somos
ainda que pareçam expandir-nos.
é preciso.
eles dizem: isso, do coração. e nós o faremos.
4 de dezembro de 2012
sobretudos
num balão a
leveza está sob os pés.
pendidos num cesto de vime o vento não nos venta, leva.
quando dentro do vento sem resistência, o vento não é vento.
somos sobretudo um
mesmo movimento, o tempo sobre a face da terra.
sobre tudo o que é a terra.
3 de dezembro de 2012
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