24 de junho de 2010

na companhia dela

"Corroendo
As grandes escadas
Da minha alma.
Água. Como te chamas?
Tempo.

Vívida antes
Revestida de laca
Minha alma tosca
Se desfazendo.
Como te chamas?
Tempo.

Águas corroendo
caras, coração
Todas as cordas do sentimento.
Como te chamas?
Tempo.

Irreconhecível
Me procuro lenta
Nos teus escuros.
Como te chamas, breu?
Tempo."

(Hilda Hilst, Da morte, odes mínimas)


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2 comentários:

Marcos disse...

Oi, Veronika
Adoro o livro de onde este poema foi, com muita sensibilidade, pinçado.
Beijos

Fabiana disse...

boa, a companhia dela. Beijos.