29 de agosto de 2015
lágrimas
21 de agosto de 2015
...
nascer mundo e pouco a pouco desconstituir-me pólen pó pulsar
minúsculo
então átomo talvez talvez
só talvez
energia
19 de agosto de 2015
libélula
pense pássaros presos longe de casa asas desbotadas delicadas lágrimas de sal.
em lágrimas atravessar o labirinto - aromas - e, ao sair, um lago, sobre o lago uma libélula que sempre e quase pousa.
perder-se no labirinto é encontrar-se minotauro, dessaber-se teseu, recusar o fio de ariadne: não se tecer.
nos caminhos não se entender. seus mapas. eros destroçado sem perna ou braço.
como os pássaros longe de casa.
o longo labirinto dos desertos: o mistério este céu estrelado: este mar sem caminhos.
14 de agosto de 2015
12 de agosto de 2015
do mar
quando passei a mão no pepino do mar, ele não era gelado, era morno e aconchegante. e a moça disse que ele também me sente na mesma medida em que eu o sinto. é outra a sua compreensão do mundo, mas também ele um bicho, como eu, e que tem tato. e quando eles se cansam de ser tateados, tanto quanto as estrelas e ouriços do mar, se recolhem do outro lado do pequeno lago ou no canto à esquerda onde o vidro protege de mãos. e isso basta. esses bichos, ela diz, também sabem se há muita gente. também eles se cansam do mundo compartilhado. depois, passei os dedos pelas mini ventosas da estrela grande e vermelha. acariciei os espinhos do ouriço. tenho vontade de chorar.
meu filho diz: foi bom. digo a ele que também para mim foi a primeira vez. e um olhar de cumplicidade me envolve e é morno e aconchegante.