17 de agosto de 2010

esquento as mãos

meu pai tinha uma belina azul piscina.
eu tinha seis anos e um vestido de florzinhas com um laço.
o duto tinha uma calça boca de sino cor de rosa.
minha tia tinha cabelos pretos e longos, divididos em duas tranças.
com as meninas na rua a gente brincava de amarelinha, de fita e de mamãe me dá polenta.
era bom.
ontem, quando entrei no carro na hora do meio dia, gostei tanto do calor, quentinho e quietinho, que fiquei ali, pensando em coisas desse tipo. uma sucessão de pequenas bobagens, tão amarelas quanto os ipês, que voltaram.

9 comentários:

Tatiana Sandim disse...

Na infância eu sentia calor, muito calor! Brincava na rua com os amigos até tarde e eu acho que minha mãe deixava porque, em casa, não ia ter jeito de dormir de tão quente.
O frio que você mandou já chegou aqui. O vento está doendo nos ossos (igual no seu piquenique de domingo...).
Mas, continuo: casa, aula, pensamentos, pensamentos, pensamentos..
Saudades! Beijo!

Ceci Paulics Faleiros disse...

Essa belina azul piscina...inesquecível! Só que eu diria verde-azulado...E o tanto que a gente gostava de viajar atrás, no porta molas?!?!

Alvaro Vianna disse...

Hoje está mesmo mais quentinho por aqui. Gostoso. Como são gostosas e sempre ternas essas lembranças de infância.

Um beijo.

Varal de Textos disse...

Lá em casa não tinha belina azul, mas um fusca verde. Aliás, tivemos três fuscas verdes (até parece trava-língua). Não sei a razão. Brincava de esconde-esconde e corria muito, muito mesmo, para gritar "1,2,3 Adriana" bem alto, batendo na parede da casa do seu Cirilo... Seu Cirilo morreu dia desses. O muro da casa dele agora é alto e tem grades. As crianças já não correm por lá.

Neide Rigo disse...

já meu pai tinha um jeep willys. no primeiro dia que ele veio pra nossa casa, meu pai errou o pé e o carro entrou no quarto - foi parar ao lado do berço. eu usava vestido de piquê cor de rosa e meia calça branca rendada que vivia remendada no joelho. seu texto lindo me fez lembrar destas bobagens. beijos,n

Inês Correa disse...

querida, se essas lembranças são bobagens, acho que vivo e me alimento diariamente de bobagens, tão ricas são elas. beijo

Ismália disse...

Eu usava um vestidinho mais lindo que outro, todos eu vi minha mãe fazendo na máquina. Meu pai teve uma variant cor de abóbora, três jipes verdes, um fusca azul, uma caminhonete vermelha, e uma caravan marrom (ele era mecânico e adorava carros). Quando eu não usava vestidinhos bonitinhos, vestia um moleton e ficava até tarde segurando uma lâmpada em cima de um capô aberto enquanto meu pai fazia alguma gambiarra. Brincava com meus irmãos de subir no macaco da oficina. Pode falar de ventoinha comigo que eu vou palpitar com naturalidade. Eu brincava que flor de manjericão era feijão (o manjericão nascia feito praga no quintal, e eu nem desconfiava que mais tarde manjericão ia ter cheiro de infância).

Obrigada, V!

por aí disse...

e as corujas? também voltaram?

Fabiana disse...

Ah, essas lembranças... Lá em casa a mania era de corcéis. Lembro do amarelo, velhinho, e depois do prata, possante, modééérno, que meu pai acelerava gritando "aiô, Silver!". O carro imenso e comprido, que nas viagens (sempre pra Londrina) virava brincadeira e comilança. Cheirava a cheetos, a não ser quando era lavado. Minhas roupas não eram vestidos nem saias, nem laços. eu, quando pequena, me misturava aos meninos. Linda lembrança. Beijo.