11 de outubro de 2021

poeminha besta sem pé nem cabeça

ruínas e casas cidades escombros
medos palavras vão 

chuva na mata flor de pitanga
lapso de cor 

lápis no tempo bordado do avesso
uma faca no figo rasgado ao meio
constelações e vento
virá o temporal 

alguém do nada chegará no nada
tapa na cara semente no gelo são jorge e o dragão

memória rasa pra sair da devastação 

viajo sem sombra
sinos caindo do céu 

sou tronco lenhoso
filhos perdidos
brotados em fogo água chão

 

 

ou

um tronco. um osso seco. um cajado caído na beira. tomates, rúculas, pepinos. sol de meio dia. o milho crescendo amarelo: falta alguma coisa nesta terra. sempre falta alguma coisa. no retrato de família, aquela fartura, e falta. no abraço. no calor. na pele. e falta. tua mão. minha nuca. filhos plantados, alimentados, crescidos. e também para eles, sempre: na terra da horta há pepinos, tomates, rúculas, mas o milho sabe que alguma coisa falta. falta alguma coisa nesta terra.

 

 

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