19 de fevereiro de 2018

planck lenght


apagando umas notas no telefone, encontro uma palavra que não sei quem não sei quando me pediu para anotar, e buscando imaginar quem poderia ter sido, faço uma busca rápida na enciclopédia virtual e, entre palavras que ao intuir que me dizem tanto mas que não entendo nada, encontro um parágrafo que leio e releio até os olhos se encherem de lágrimas tanto pelo esforço quanto pela dificuldade de compreender e reconheço a capacidade destas palavras de me levarem para um outro mundo, como quando alguém com muita fome pensa árvores mas não pensa rúcula, e num tempo em que não consigo pensar palavras nos temas que antes me interessavam mas que agora me deixam quase apática, a descrição da visualização do comprimento de planck me comove, pois como não me comoveria imaginar – imagine – um ponto de pó de 0,1 milímetro, que é mais ou menos a menor coisa que nós humanos conseguimos ver a olho nu, pois imagine este ponto minúsculo ampliado para o tamanho de todo o universo observável e, ao olhar para todo este universo amplo, imagine um pequeno ponto de 0,1 milímetro, que mais exatamente está dentro do que antes era, em si, um ponto de 0,1 milímetro mas que agora se refere ao universo todo, pois este ponto - o comprimento deste ponto dentro do ponto - é que tem o nome que anotei quando não sei, mas agora claramente sei que quem me pediu um dia foi menor que uma partícula destas, como todos, sei, fomos num princípio assim pequenos mas poucos, bem poucos, foram assim tão mínimos dentro de mim.

2 comentários:

Marco Maschiao disse...

hoje eu caibo nesse mesmo corpo que já coube
na minha mãe

minha mãe
minha avó
e antes delas minha tataravó
e antes delas um milhão de gerações distantes
dentro de mim

v. paulics disse...

agradeço a visita, a companhia, estas estradas.