quando passei a mão no pepino do mar, ele não era gelado, era morno e aconchegante. e a moça disse que ele também me sente na mesma medida em que eu o sinto. é outra a sua compreensão do mundo, mas também ele um bicho, como eu, e que tem tato. e quando eles se cansam de ser tateados, tanto quanto as estrelas e ouriços do mar, se recolhem do outro lado do pequeno lago ou no canto à esquerda onde o vidro protege de mãos. e isso basta. esses bichos, ela diz, também sabem se há muita gente. também eles se cansam do mundo compartilhado. depois, passei os dedos pelas mini ventosas da estrela grande e vermelha. acariciei os espinhos do ouriço. tenho vontade de chorar.
meu filho diz: foi bom. digo a ele que também para mim foi a primeira vez. e um olhar de cumplicidade me envolve e é morno e aconchegante.
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