7 de novembro de 2020

vendaval nunca é igual

esta noite ventou muito. por mais que as janelas vedem bem, foi uma madrugada com o som de vento passando pelas frestas. sonhei que na praça que vejo da janela havia uma horta, em vez das árvores. e um cão enorme pisava os canteiros. eu gritava para que o cão saísse, deixasse de estragar a plantação, mas nem ele me obedecia, obviamente, nem aparecia o humano que o estivesse acompanhando. acordei, vi e ouvi o vento. era muito cedo. mesmo assim me levantei para ver como iam as plantas nesse vento. estavam bem. um tanto felizes pela chuva e um tanto tensas pelo movimento. voltei a dormir. não sonhei mais. acho.

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hoje participarei de um lançamento de livro virtual.  até agora participei de poucos eventos virtuais. confesso que não gosto. mas é melhor do que o isolamento total, a imobilidade que se tenta impor.  e é um projeto que nasceu no momento mesmo das impossibilidades do confinamento, buscando abrir alguma fresta por onde entrasse luz. cada um em sua casa, em cidades diferentes, países diferentes, fusos horários diferentes, e um mesmo texto que fosse uma faísca para criar. e em pouco tempo as criações se fizeram. uma amiga querida está na coordenação e um dos critérios para reunir estes e não outros artistas foi o afeto. achei  esta explicitação de uma sinceridade quase doída, num tempo em que todos os vínculos se fantasiam de vínculos “objetivos” sendo que os vínculos subjetivos é que têm nos ajudado a superar o estranhamento e o desamparo destes tempos.

 

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