28 de setembro de 2026

do tempo

me agarro ao fio do tempo, não quero largá-lo, não quero deixá-lo ir. 

ainda assim, me escapa das mãos, se desfia.

quando fica fraco e tênue, e já não me sustenta, me volto para dias passados.

todo fio solto se emaranha e nem sempre o passado permite ser revisto. é preciso desembaraçá-lo, alinhá-lo, esticá-lo.

em alguns pontos, o fio embolado gera um nó no tempo e momentos que antes pareciam desconectados se encontram, se sobrepõem como quando nas antigas máquinas fotográficas falhava o mecanismo de rodar o filme e ao revelar as imagens havia mar e ondas no meio do teu rosto ou uns galhos estampados em teus braços, formando um sutil desenho de veias ou asas.

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