alguém pensa e se pergunta. outro responde e diz o que pode ter a dizer. sobre aquilo novamente alguém se questiona.
então, novas perguntas e o mundo mergulha em seu mistério correspondente.
há quem corresponda e silencie.
mesmo assim torna-se um ponto num mapa ainda que quase todo de desconhecido.
mas há também quem escreva e mande cartas.
férias é descobrir o horário que o carteiro passa. e maravilhar-se com seu nome de menino num sobrescrito.
10 de janeiro de 2011
7 de janeiro de 2011
avô e avó
como o espelho se estilhaça, com sua morte, sua essência em cada cavalo, todos os cavalos do mundo. ela, a garça que sobre eles pousa, a catar os carrapatos.
6 de janeiro de 2011
não me arrependo de nada que fiz
sendo a vida uma sucessão de escolhas, pequenas ou grandes, cada vez que se decide fazer uma coisa, decide-se não fazer todas as outras. dizer só me arrependo do que não fiz quer dizer o quê?
5 de janeiro de 2011
quando não vou a pé
o que pensa o soldado ao fazer a ronda em torno da casa dos oficiais perto de resende?
(passa um homem de chapéu de boiadeiro montado numa bicicleta. telefone para deficientes auditivos. diesel a 1,81 em dinheiro. use sempre o cinto de segurança.)
será que ele pensa na namorada no namorado na mãe triste ou feliz será que ele pensa no soldo do fim do mês ou pensa no pai ou na carreira ou não pensa em nada?
(mantenha a distância. parque nacional. tarifa de pedágio 9,20. posto sinderle.)
ou, ainda, fazendo a ronda a pé o soldado pensa no poema que perdi na estrada, onde o longo fio contínuo me diz para não ultrapassar?
eu tinha sete ou oito anos e vi um carro vermelho acidentado. trânsito lento. o homem deitado no asfalto. morto. e uma imensa poça da cor do carro.
(atenção travessia de pedestres). sempre me lembro.
e o fio intermitente me diz.
25 de dezembro de 2010
24 de dezembro de 2010
23 de dezembro de 2010
22 de dezembro de 2010
21 de dezembro de 2010
20 de dezembro de 2010
nada mais simples
me deu dezesseis avos de uma folha de caderno pautado, pediu para anotar nome e telefone.
um sorteio, explicou.
se, e será o mais surpreendente de todos.
a cada novo ciclo, uma nova surpresa.
um sorteio, explicou.
se, e será o mais surpreendente de todos.
a cada novo ciclo, uma nova surpresa.
17 de dezembro de 2010
café da tarde
sete senhoras, senhoras, entraram na sala errada do cinema. quando se sentaram e olharam para a tela, riram nervosas e constrangidas com o inusitado. no fundo, bem que gostaram e se deixaram ficar até o limite da vergonha. então, uma se levantou e outra e outra até que todas fora da sala cúmplices se consolaram. e riram e riram. juntas foram tomar café. encontraram outras quatro, que chegaram atrasadas para o cinema. onze mulheres ali e eu, a me esquecer para ouvir suas risadas.
16 de dezembro de 2010
tectec-tectectec-tec-tectectectec
na madrugada, o barulho da máquina de escrever costurava mínimos pedaços do tecido que eu gostaria de ser.
me lembro disso quando na máquina de costura junto pedaços de tecidos floridos para que neles possam caber mundos e fundos.
não sou deus. minhas linhas tortas aqui e ali sem certezas não me denunciam, me desnudam.
olhe bem um papel em branco: você, o que vê?
me lembro disso quando na máquina de costura junto pedaços de tecidos floridos para que neles possam caber mundos e fundos.
não sou deus. minhas linhas tortas aqui e ali sem certezas não me denunciam, me desnudam.
olhe bem um papel em branco: você, o que vê?
14 de dezembro de 2010
escrever
"É uma coisa curiosa um escritor. Uma contradição e também um absurdo. Escrever é também não falar. É se calar. É berrar sem fazer barulho. É muitas vezes o repouso de um escritor e ele tem muito a ouvir. Não fala muito porque é impossível falar com alguém de um livro que se escreveu e sobretudo de um livro que se está escrevendo. É impossível. (...) Porque um livro é o desconhecido, é a noite, é fechado, é assim."
(marguerite duras)
(marguerite duras)
13 de dezembro de 2010
passagens
com o tempo, o tempo se alarga e é possível virá-lo do avesso e do direito, por um lado encontrar foco, por outro mergulhar no difuso iluminado do mundo do entorno.
10 de dezembro de 2010
7 de dezembro de 2010
6 de dezembro de 2010
dias lentos
3 de dezembro de 2010
1 de dezembro de 2010
todas as coisas pequenas
na nova organização dos livros, caio e zé ficam amigos. camila e kavafis conversam. a senhora jaffe chega tímida, tímida como na vida real.
Assinar:
Postagens (Atom)